quinta-feira, 16 de agosto de 2018

O objetivo da arte é fazer-nos pensar e refletir...


No Museu de Belas Artes do Ontário em Toronto - AGO


Tronco de árvore com 1 181 pregos

Número de mulheres aborígenes que desapareceram e foram assassinadas no Canadá, conforme citado num relatório da RCMP (Polícia Montada) de 2014.






Rebecca Belmore (nascida em 1960, canadiana, de origem ojibwe) é uma das mais conhecidas artistas contemporâneas, tendo apresentado os seus trabalhos em várias galerias dos Estados Unidos e da Europa.

O seu trabalho aborda temas de identidade aborígene e justiça social.

“A sua obra evoca os vínculos entre o corpo, a geografia e as realidades atuais das comunidades das Primeiras Nações.”


Mixed Blessing

Figura ajoelhada vestida com uma camisola preta com capuz, rosto encoberto pelo cabelo. Há quem interprete como um “corpo poderoso e ao mesmo tempo impotente”.

Sangue na neve

Edredão branco representando um campo coberto de neve. "O sangue que escorre na cadeira branca representa dor e violência no meio de uma indiferença fria e branca." 

Para Rebecca Belmore é uma extensão da violência contínua contra o povo aborígene.

Um memorial em homenagem às vítimas do massacre de nativos americanos em Wounded Knee (Dakota do Sul, EUA) a 29 de dezembro de 1890.








Carrinhos que os sem-abrigo usam para transportar os seus pertences.

Lona

Lona – importante para a sobrevivência dos sem-abrigo.


Thin red line



Fatos de homem cheios de areia, cosidos com linha vermelha. 

"Estes uniformes burocráticos tornam-se objetos funcionais que são usados na guerra e noutros desastres."


Esta última foto – que chama a atenção para a exibição nos cartazes publicitários – é perturbadora, mas decidi hoje acrescentá-la a este post.


Fringe

"Esta imagem, como outras obras de Belmore, oscila entre a beleza e a repulsa. A ferida impede um olhar agradável sobre o corpo da mulher nua, mas a sugestividade da sua pose e a ausência de um olhar de retorno dificultam desviar o olhar. As contas vermelhas suspensas dos pontos do corte não são sangue, mas cordões de contas brilhantes. A ferida é um símbolo da tenacidade e da violência indesculpável que muitas mulheres indígenas enfrentam."


“Apesar da gravidade da lesão da mulher, o Fringe de Belmore também é sobre cura. A ferida não é fatal, mas a cicatriz nunca desaparecerá.”


"This image, like other works by Belmore, oscillates between beauty and repulsion. The wound prevents a pleasurable gaze upon the nude woman’s body, yet the suggestiveness of her pose and the absence of a return gaze make it hard to look away. The red drips suspended from the stitches of the gash are not blood but strings of glistening beads. The wound is a symbol of both tenacity and the inexcusable violence that many Indigenous women endure."


“Despite the graveness of the woman's injury, Belmore's Fringe is also about healing. The wound is not fatal, but the scar will never disappear.”

Uma exposição que me sensibilizou, que me deixou a pensar, sem dúvida...



21 comentários:

  1. Vou então reflectir.... É que assim, à primeira vista, este tipo de arte não me diz nada. Sorry!

    :)

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    1. Foi precisamente o que a minha amiga me disse. Também pensei o mesmo. Mas depois começamos a ler e a ver os vídeos da exposição. Começamos a compreender o significado desta obra, a profundidade da mesma. Para além de que a situação do povo aborígene e, principalmente, das mulheres aborígenes, é uma situação que me sensibiliza e revolta desde sempre, desde que aqui cheguei.
      : )

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  2. Love this.
    An important message.
    Worthwhile cause.
    😌

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    1. It left a deep impression on me.
      I felt a silent emotional uproar.

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  3. Wow, that is a very sobering exhibit. The artist used some interesting forms of expression.

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    1. This is her largest-ever solo exhibition. It features violence against indigenous women, homelessness, climate change, water issues. It is powerful. It is intense. But I had to read about some of her work to fully understand what some exhibits represented. Others were very obvious, mainly the ones that depict violence.

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  4. Sem dúvida, Catarina.

    Este tipo de arte ainda me permite reflectir com mais intensidade do que a arte antiga.

    Só tenho pena de não estar aí, que não perdia essa exposição.

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    1. Podes ler mais sobre esta exposição e sobre a artista aqui:

      https://ago.ca/exhibitions/rebecca-belmore-facing-monumental

      vale a pena.

      Vê a última foto que acabei de acrescentar e a explicação da mesma. Uma imagem perturbadora.

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  5. Interpretar obras de arte é sempre difícil. A menos que seja o próprio autor a fazer uma leitura sobre aquilo que criou, serem terceiros a interpretar distorce sempre a ideia original.
    Claro que este tipo de "arte intervencionista" é diferente... pois a mensagem é inequívoca.

    Beijinhos pensativos
    (^^)

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    1. Rebecca nem sempre nos dá a explicação. Prefere que o visitante faça a sua própria interpretação. Acredita que tenho pensado no significado de cada uma destas exposições a manhã inteira. Os vídeos foram igualmente extraordinários. Gostei de ver alguns pais a explicar aos seus filhos o significado do que estavam a ver. Também observei que os visitantes neste quinto andar onde esta exposição foi feita era diferentes dos outros andares. Aqui vi (naquela altura; demorei mais ou menos uma hora a ver, e rever e a ler) pessoas mais jovens, mais “hippie”. : ))

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  6. Gostei da mostra de fotos no Museu de Belas Artes do Ontário, em Toronto. Muito bonitas !

    A título mais jocoso, acho que a primeira escultura da árvore com 1181 pregos foi executada por um fákir muito introvertido, visto que os pregos estão ao contrário. Normalmente eles deitam-se em cima deles com os bicos virados para cima ! :)))

    Obrigado Catarina

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  7. Confronting. And sadly true of so many cultures/nations. Mine included.

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  8. Eu a arte moderna temos uma relação muito complicada ...
    Bfds

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  9. An exhibition like this often needs more explanation, which I'm pleased they gave.

    All the best Jan

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