No Museu de Belas
Artes do Ontário em Toronto - AGO
Tronco de árvore com 1 181 pregos
Número de mulheres aborígenes que desapareceram e foram assassinadas no Canadá, conforme citado num relatório da RCMP (Polícia Montada) de 2014.
Rebecca Belmore
(nascida em 1960, canadiana, de origem ojibwe) é uma das mais conhecidas
artistas contemporâneas, tendo apresentado os seus trabalhos em várias galerias
dos Estados Unidos e da Europa.
O seu trabalho
aborda temas de identidade aborígene e justiça social.
“A sua obra evoca
os vínculos entre o corpo, a geografia e as realidades atuais das comunidades
das Primeiras Nações.”
Mixed Blessing
Figura ajoelhada vestida
com uma camisola preta com capuz, rosto encoberto pelo cabelo. Há quem
interprete como um “corpo poderoso e ao mesmo tempo impotente”.
Sangue na neve
Edredão branco representando um campo coberto de neve. "O sangue que
escorre na cadeira branca representa dor e violência no meio de uma indiferença
fria e branca."
Para Rebecca Belmore é uma extensão da violência contínua contra
o povo aborígene.
Um memorial em homenagem
às vítimas do massacre de nativos americanos em Wounded Knee (Dakota do Sul,
EUA) a 29 de dezembro de 1890.
Carrinhos que
os sem-abrigo usam para transportar os seus pertences.
Lona
Lona – importante
para a sobrevivência dos sem-abrigo.
Thin red line
Fatos de homem
cheios de areia, cosidos com linha vermelha.
"Estes uniformes burocráticos tornam-se objetos funcionais que
são usados na guerra e noutros desastres."
Esta última foto –
que chama a atenção para a exibição nos cartazes publicitários – é perturbadora, mas decidi hoje acrescentá-la a este post.
Fringe
"Esta imagem, como outras obras de Belmore, oscila entre a
beleza e a repulsa. A ferida impede um olhar agradável sobre o corpo da mulher
nua, mas a sugestividade da sua pose e a ausência de um olhar de retorno
dificultam desviar o olhar. As contas vermelhas suspensas dos pontos do corte
não são sangue, mas cordões de contas brilhantes. A ferida é um símbolo da
tenacidade e da violência indesculpável que muitas mulheres indígenas
enfrentam."
“Apesar da gravidade da lesão da mulher, o Fringe de Belmore também é sobre cura. A ferida não é fatal, mas a cicatriz nunca desaparecerá.”
"This image, like other works by Belmore, oscillates between beauty and repulsion. The wound prevents a pleasurable gaze upon the nude woman’s body, yet the suggestiveness of her pose and the absence of a return gaze make it hard to look away. The red drips suspended from the stitches of the gash are not blood but strings of glistening beads. The wound is a symbol of both tenacity and the inexcusable violence that many Indigenous women endure."
“Despite the graveness of the woman's injury,
Belmore's Fringe is also about healing. The wound is not fatal, but the scar
will never disappear.”
Uma exposição que
me sensibilizou, que me deixou a pensar, sem dúvida...