Estando na fila para pagar neste supermercado
fora da minha zona, e depois de uma certa frustração por não encontrar tudo o
que queria de uma forma rápida e eficiente, acalmo-me observando um garoto de
uns 4 a 5 anos a fazer uma birra silenciosa. Enquanto o casal atrás de mim
discutia sobre se deviam ou não levar um determinado produto – porque viam pelo
telefone que o mesmo estava mais barato não sei onde – o filho decidiu correr
entre os clientes que esperavam a sua vez, invadindo até o espaço das
empregadas da caixa que - umas com calma, outras já irritadas - o afastavam
esperando que os pais se dessem ao trabalho de o acalmar. O pai, com todas as
características físicas de português, confirmado por umas frases em português açoreano
intercaladas com um inglês sem pronúncia, era de estatura baixa, magro, com um
rosto bronzeado, rugas precoces talvez devido à exposição solar diária, de
brinco na orelha esquerda, cabelo curto e eriçado. Parecia ter trinta e muitos
anos, mas talvez fosse mais novo. Um estilo assim “engatatão à portuguesa pouco
refinado”. A companheira tinha um aspeto ligeiramente mais jovem, mais alta,
mais forte, de “tights” – que não ficam bem a toda a gente mas que toda a gente
insiste em usar! – também de descendência açoreana. Vendo a displicência do
homem, instruiu-o a tomar conta do “pequeno”. O homem assim tentou fazer, mas o
“pequeno” batia o pé e recusava-se a obedecer. Entretanto, paguei e saí. Não
sei o que aconteceu depois...
Enquanto atravessava o parque de estacionamento
em direção ao carro ia pensando numa birra que a minha filha fez quando tinha
mais ou menos a mesma idade, em pleno Sherway Gardens (centro comercial) porque
queria que lhe comprássemos um brinquedo qualquer. Recordo-me que a levámos
para o carro sem lhe comprarmos o dito brinquedo. Chorou até chegarmos a casa.
Como nem o pai ou a mãe lhe prestaram atenção, parou de chorar e só nessa
altura é que nos sentámos e falámos com a menina caprichosa. Não me recordo de
outra birra. O irmão, mais calmo, nunca me “fez passar por estas situações”. :
)
Por que será que os miúdos escolhem lugares públicos
para se expressarem desta forma?! : ))