sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Casa


Tal vez ésta es la casa en que viví
cuando yo no existí ni había tierra,
cuando todo era luna o piedra o sombra,
cuando la luz inmóvil no nacía.
Tal vez entonces esta piedra era
mi casa, mis ventanas o mis ojos.
Me recuerda esta rosa de granito
algo que me habitaba o que habité,
cueva o cabeza cósmica de sueños,
copa o castillo o nave o nacimiento.
Toco el tenaz esfuerzo de la roca,
su baluarte golpeado en la salmuera,
y sé que aquí quedaron grietas mías,
arrugadas sustancias que subieron
desde profundidades hasta mi alma,
y piedra fui, piedra seré, por eso
toco esta piedra y para mí no ha muerto:
es lo que fui, lo que seré, reposo
de un combate tan largo como el tiempo.

Pablo Neruda

6 comentários:

  1. Se o título deste blog corresponde à alma da sua autora, que nele a irá certamente expôr, então promete ser um espaço de conforto para quem como eu também se sente mais como quem observa, quem admira, quem medita e imagina que por estas bandas poderá rever-se. :)

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  2. Catarinamiga

    Confesso que vivi sempre na esperança de conhecer Neruda. E, conheci, em 1970, tinha vindo de Luanda (onde então vivia) a Lisboa, e o João António Campos Sacadura, Amigo infelizmente já falecido, convidou-me a dar um salto com ele Barcelona. Era possível falar com o Poeta.

    Era o tempo do franquismo, por isso Neruda não podia, nem queria, entrar em Espanha. Mas o Sacadura disse-me que não me preocupasse, tudo se conseguia arranjar. E arranjou.

    Por Port Bou passámos a Perpignan. E aí, para meu prazer e honra, encontrámos Neruda, com quem falei por uns minutos. Depois de saber quem eu era e o que era políticamente, autografou-me o Confieso que viví, que guardo cuidadosa e ciosamente.

    Por isso, muito obrigado por esta publicação

    Qjs

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  3. A casa é o mundo. E o mundo é uma casa.
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    Felicidades.
    Manuel

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  4. Henrique,
    Conhecermos pessoalmente pessoas que admiramos quer pelo que escrevem, quer pelo que defendem é sempre uma experiência enriquecedora. E o Henrique poderia, perfeitamente, escrever as suas “Memoirs” onde nos daria a conhecer as pessoas “importantes” e interessantes que conheceu no decorrer da sua carreira.
    Abraço

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  5. Olá Manuel, obrigada pela visita. Já passei pelo DE-PROPÓSITO. Entrarei, de novo, com ou sem propósito. : )
    Abraço

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  6. Luisa, fiquei tão interessada em visitar logo o seu blogue que não lhe agradeci, de imediato, a sua visita. As minhas desculpas. Bem vinda! Este vai ser um blogue muito modesto mas será sempre bem recebida.
    Abraço.

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