segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tolerância

Tolerância é uma questão social muito actual.
Há quem considere a expressão “ser tolerante” como sinónimo de “ser complacente” com conotação paternalista.
Tolerância, na minha opinião, e no sentido mais amplo, deverá significar aceitação. Ser tolerante é aceitar as diferenças entre as pessoas, diferenças estas que se referem aos valores sociais, crenças e práticas religiosas, raça, nacionalidade, cor, género, orientação sexual, idade, características físicas...
E quando num país multicultural, determinados grupos étnicos seguem as tradições, as normas morais fundamentalistas vigentes no seu país de origem? Isto a propósito do que li ontem sobre um caso de “crime de honra” – mais um – cometido em Phoenix, nos Estados Unidos. Os filhos tornam-se muito ocidentalizados e os pais não estão com meias medidas...
A vida dos jovens de certos grupos étnicos não é nada fácil. Na escola, no local de trabalho são “ocidentais” e quando regressam a casa espera-os um modo de viver completamente diferente e por vezes oposto. Jovens que vivem em dois mundos na mesma cidade, que se revoltam e que, muitas vezes, acabam por pagar com a vida a decisão que tomaram.
Se eu sou justa, devo ser tolerante; consequentemente, deverei tolerar os intolerantes, de contrário, serei intolerante.  Mas eu não aceito estas práticas hediondas. A minha tolerância tem, afinal, os seus limites...

10 comentários:

  1. Catarina,
    Tolerância não é sinónimo de insensibilidade.
    E, com práticas desumanas, não há lugar a tolerância.
    Um Fabuloso 2011!!

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  2. tem limites a de todos nós, Catarina.

    felizmente a idade e a experiência de vida, torna-nos mais tolerantes, mais conhecedores do "outro".

    claro que há sempre quem teime em não aprender nada com a vida...

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  3. Aquele rapaz, nascido na Judeia ha 2010 anos e de quem se festejou o aniversário ha 11 dias, precisamente, foi tolerante... alguns intolerantes, crucificaram-no.

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  4. Catarina
    Eu que sou uma pessoa bastante tolerante tavez pelos meus 54 anitos, porque a experiência me faz mais tolerante mais calma com o passar dos anos, mas tolerância não é e jamais será sinónino de insensabilidade, porque existem coisas completamente desumanas para a qual não existe tolerância no meu dicionário. E não acredito que esteja ultrapassada. acredito e sou humana, muito, só isso. Não tivesse eu 9 gatos a serem criados quase como se fossem filhos.
    Beijinho

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  5. A tolerância tem limites, ponto final.

    Excepto a tolerância de ponto que acontece sempre que um dirigente quiser.

    (sorriso largo)

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  6. "A minha tolerância tem, afinal, os seus limites..."
    Aquele pai terá concluído que a sua tolerância tinha chegado ao limite !!
    Discussão infrutífera...
    Para chegarmos a um consenso universal teria o SER HUMANO de ter atingido o mesmo patamar em simultâneo!

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  7. De acordo com os dados das Nações Unidas, 5 000 mulheres e raparigas são mortas, anualmente, a tiro, envenenadas, estranguladas, apedrejadas, atiradas para a fogueira vivas, esfaqueadas, geralmente (mas não só) por membros masculinos da sua família.

    Não há justificação ou tolerância possíveis para estes “crimes de honra”; não existem tradições ou valores sociais que justifiquem que um pai, um irmão, um tio mate uma filha, uma irmã, uma sobrinha porque ela optou por não seguir à risca os seus (deles) padrões morais e religiosos, porque se veste de maneira diferente, porque namora um rapaz que não pratica a mesma religião.

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  8. Tem toda a razão. Tolerância não pode ser indiferênça e, muito menos, permissividade. Caso contrário poderemos estar a alimentar a víbora que nos devorará amanhã.
    Há limites para tudo e também para a tolerância. Não se pode ser tolerante para com a violência, venha ela de onde vier.
    Uma análise muito actual e muito bem feita.
    Beijo
    Caldeira

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  9. Catarina

    Espero que não tenha concluído que sou tolerante com este acto, ou outros similares... simplesmente, havendo como há a pena de morte em países que se dizem civilizados, apenas constato que há diferentes níveis de tolerância nos seres humanos, e cada um reclama para si a razão!

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  10. Claro que não concluí isso, Fenix.

    A pena de morte serve para punir alguém que cometeu um crime muito grave. Mesmo assim, não concordo com esta forma de punição.

    As “penas de morte” a que me refiro são planeadas e executadas pelos homens da família que visam mulheres e raparigas que “apenas” querem sair das tradições rígidas do núcleo onde estão inseridas, que não cometeram um crime, segundo a nossa definição.

    Para certas minorias “limpar a honra” é mais importante do que uma filha.

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