quarta-feira, 7 de março de 2012

De quem me fui lembrar esta manhã!

Ao sair de casa para ir trabalhar, alguém me cumprimenta enquanto abro a porta do carro e coloco lá dentro a tralha do costume:
- Hi Catarina. I am going bowling today!
- Hello (nome)! You are…?! That’s great! I like bowling as well, but I am not very good at it.
É a filha dos meus vizinhos que me cumprimenta desta forma; uma menina encantadora de 3 anitos.
Este tratamento informal por parte da menina fez-me lembrar o “vosso querido” Álvaro, que tal como um Liberace ou um Bono, já é conhecido apenas pelo seu antropónimo.
Nem sempre é fácil habituarmo-nos à informalidade de tratamento (como acontece neste país), habitual entre colegas de trabalho independentemente dos cargos que desempenham nos vários níveis hierárquicos, entre pessoas de diferentes grupos etários ou que acabam de se conhecer devido a interesses profissionais ou de outra ordem.
Quando tive a oportunidade de cumprimentar o nosso Premier (do Ontário), não ouvi ninguém tratá-lo por sua excelência. Tratavam-no por Mr. McGuinty. (Naquela tarde, quando o Premier se despediu, ouvi uma senhora gritar: I love you!  Ele virou-se, deu um sorriso, não sabendo de onde tinha vindo aquela voz. A senhora, que tão claramente deu a conhecer a admiração que por ele nutria, era portuguesa (dos Açores).
O que quero dizer, afinal, é que o tratamento informal não implica falta de respeito. É uma forma mais prática de tratamento que aproxima as pessoas.

31 comentários:

  1. Certamente que o tratamento informal não implica falta de respeito. Facilita, como a Catarina diz, o relacionamento entre as pessoas e o mais importante, acho eu, é que permite esse tratamento numa base de maior igualdade.
    Infelizmente em Portugal usa-se e abusa-se dos títulos, esquecendo que às vezes por detrás deles existe menos do que seria de esperar.
    de pois chega-se ao ponto dos alunos dizerem "Sotôr" ou "Sotôra", sem um mínimo de respeito nem pela pessoa nem pela palavra.
    Aqui na Alemanha habituei-me também a ouvir tratar as pessoas por Sr. ou Sra, sendo médicos, advogados ou políticos, etc.
    Um bom dia :-)

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  2. O tratamento informal aproxima mais as pessoas, os seres humanos, que é ao fim ao cabo o que todos nós somos. São essas pessoas que têm mais talento para serem pessoas.
    Abraço,
    J

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Catarina,

    não posso concordar mais com o que diz e, digo já, sou um grande admirador do "nosso" Álvaro. O que acontece - como sempre em Portugal - quem é diferente, traz novas ideias, é brilhante, é, neste País de invejosos, olhado de soslaio próprio de sociedades pequenas e mesquinhas.

    Eu há muito tempo - creio que desde sempre - "proibi" que as pessoas que comigo, de mais perto, colaboram não me tratem por Doutor, mas sim Ricardo que é o meu nome. Acho que mesmo que será uma mais valia para a equipa de trabalho se todos nos colocarmos no mesmo patamar de acção, sendo certo que a cada um caberá a sua função no "aperfeiçoamento da máquina", todos remamos ou, pelo menos, devemos remar para o mesmo lado, só assim nos engrandeceremos enquanto pessoas, povo e País.

    Mas, Portugal e a generalidade dos portugueses são assim pequeninos, mesquinhos e invejosos, de modo que demorará ainda uma geração para que se faça o click total na abolição de títulos tontos que não engrandecem ninguém, apenas o ego de alguns.

    Beijinho, Catarina e desculpe o meu desabafo!

    P.S. - Removi o outro comentário pois detectei alguns erros ortográficos!!!

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  5. "É uma forma mais prática de tratamento que aproxima as pessoas." Pois, mas só daquelas que admitem a tal aproximação... Contudo, o relacionamento é, para além de tudo, uma questão cultural, de educação. Eu não posso num contexto de dominante distanciamento, entrar "a matar" e tratar por tu toda a gente, usar só o nome próprio ou outras informalidades. Condeno o pirosismo da formalidade, mas vivemos numa sociedade... pirosa. Nos bancos da escola é que a coisa começa, mas ai da criança que não trate por "sôtora" a... "pessora"

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  6. E nem mais! Sinto o mesmo em PT e muito me estranha quando vizinhos que se conhecem há anos ainda se tratam pelos títulos acadêmicos que têm. É o Sr. Engenheiro do 3ºDrt, é a Doutora do 2º Esq e eu fico olhando porque são todos basicamente da mesma idade e viram os filhos de todos crescerem...enfim. Eu vou logo chegando e chamando pelo nome e nunca notei cara feia.

    Há quinze dias, num evento cultural próximo a Viseu, o Presidente da Câmara que tem apenas 36 anos, quando eu ia falar sobre ele ao microfone, adiantou-se, em off, retirando o Doutor da frente do seu nome. Achei de uma delicadeza e simpatia incríveis. As coisas estão mudando e é bom que seja assim.

    Beijos pelo dia de hoje, Catarina!

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  7. As coisas não são assim tão simples... A sua vizinha de 3 anos pode tratá-la por Catarina (e os pais dela provavelmente também) mas a Catarina não trata o sr. McGuinty por Dalton. Quando trabalhei em Miami, havia diferença entre os médicos que tinham direito ao dr e os que não tinham, e entre quem se lhes dirigia com ou dem dr.

    O ministro Santos Pereira teve um gesto simpático mas cometeu uma gaffe social/profissional.

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  8. Sabes Catarina o tratamento informal não representa falta de respeito, mas sim uma forma de aproximação de relacionamento.

    Feliz dia da mulher.

    Beijinho e uma flor

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  9. Um tratamento informal nunca é falta de respeito, serve muitas vezes para aproximar pessoas.
    Beijinho especial

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  10. Pois é! isso aí é América - that's the difference... Coitado do Álvaro - foi muito mal entendido por estes bacocos destes portugueses. Dou aulas de Português a uma senhora canadiana de Ottawa que, pobrezinha!, veio parar aqui a Leiria por casamento, que não entende esse tratamento de Excelência e assim...

    Há muitos anos, quando vim viver para Leiria, era uma miúda, mas já era licenciada, mas não queria nada que as pessoas adultas me tratassem por Dra. Quando fui ter a minha 1ª filha, a parteira entrou "intimidades" sobre a minha vida particular e eu lá acabei por lhe dizer que em Lisboa ninguem me tratava por dra. e que aqui também não queria que o fizessem. Pergunta imediata dela: «Porquê? É de Trabalhos Manuais?!» (Que estupidez!)

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  11. Parabéns pelo dia 8 de março e que num futuro não tão distante, o respeito pelas pessoas seja demonstrado em atitudes e carinho verdadeiro.
    http://cozinhadosvurdons.blogspot.com/2012/03/mulher-rromi-cigana.html

    bjs nossos

    das cozinheiras dos vurdóns

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  12. Estimada Amiga Catarina,
    Quem anda pelo mundo como eu sabe perfeitamente que assim é, infelizmente em Portugal assim não acontece e todos querem ser chamados de Drs. enfim!... falta de humildade.
    Abraço amigo

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  13. Luís Bonito,

    Muitas vezes as pessoas são tratadas ou “destratadas” de acordo com o seu título.
    O que noto é que, aqui, apenas quem tem o doutoramento é que tem direito a ser tratado por dr. ou dra. O tratamento por senhor engenheiro ou senhor arquiteto não existe.
    Se as telenovelas brasileiras servem de indicativo, parece que naquele país ainda existem mais doutores que em Portugal! : )
    São culturas, usos e hábitos diferentes. Os vários grupos étnicos, mesmo integrados, manterão alguns desses costumes na sua comunidade.

    Abraço

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  14. Jorge,

    É uma questão cultural, ao fim e ao cabo. Haverá indivíduos que sem o seu título se sentirão inseguros ou até despidos! : )

    Abraço

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  15. Ora nem mais, Catarina. Por aqui temos um temor reverencial que mete dó. Acredite ou não, conheço pessoas que quando o telefone toca e do outro lado do fio é um superior hierárquico, logo se põem de pé e, enquanto falam, vão fazendo vénisa, como se estivessem a ser vistos. Mete dó!

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  16. Ricardo,

    Pode desabafar à vontade! : )
    Gosto de pessoas que mostram o seu valor, os seus conhecimentos como profissionais e como seres humanos de uma forma despretenciosa e não intimidante.
    Creio, porém, que o formalismo em Portugal não é tão óbvio hoje como o era há umas décadas. É apenas a minha opinião.
    Abraço

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  17. Rogério.
    Compreendo o que está a dizer. Também não estou a indicar que se deve tutear toda a gente. Aliás, apenas fiz uma comparação.
    Se um dia, alguém nos apresentar, eu direi: “Muito prazer, Rogério. “ e talvez: “Como está?” e não “Como estás?” Não o tratarei por senhor, mas sentirá, com certeza, todo o respeito que me merece! : )))
    Quanto ao tratamento dos professores pelos alunos, também achei interessante. Aqui ou chamam Miss ou Ms ou Mrs Smith, por exemplo, ou apenas Miss, independentemente do estado civil da professora. Ao professor chamarão Sir ou Mr. Smith. Na universidade, será “Professor” com pronúncia inglesa, evidentemente!!!!!
    “Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso”.

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  18. Pitanga Doce,

    Se esse presidente da Câmara fosse de outro grupo etário, talvez não tivesse demonstrado essa simpatia.
    Talvez as coisas estejam a mudar... devagar, devagarinho... : )
    Abraço

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  19. Gi,
    O informalismo não se refere apenas ao tratamento pelo nome próprio. Tratar o Premier por Mr. McGuinty já tem cariz informal se compararmos com outros países.
    Quanto ao ministro Santos Pereira, também pensei na altura “mas que grande gaffe”; mas sendo um homem bem formado, académico, inteligente, ele sabia o que estava a fazer. Para ele não foi gaffe. Outra forma de ver as coisas. Por mim, pefiro chamá-lo de senhor do que apenas pelo nome próprio. : )
    Abraço

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    1. Catarina, o protocolo é uma coisa fascinante... A rainha de Inglaterra, por exemplo, é tratada por "minha senhora" (ma'am)...

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  20. Flor de Jasmim,

    É verdade! Hoje foi o Dia Internacional da Mulher. Nada foi feito de especial no meu local de trabalho talvez porque somos igualmente importantes como os nossos colegas ao longo do ano. Não fazemos feitos que nos tornam famosas a nível internacional, mas somos reconhecidas como elementos muito importantes da sociedade.
    Abraço : )

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  21. Graça,
    : )))
    Sem querer entrar em pormenores... : ).... como é que essa senhora se está a adaptar ao estilo de vida em Portugal?
    Abraço

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  22. cozinheiras dos vurdóns,
    Esperemos que certos grupos aprendam a respeitar as diferenças dos seus semelhantes. Esperar que toda a sociedade global o faça não passará de uma utopia.
    Mas continuemos a fazer uma diferença...
    Abraço

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  23. António,
    Por outro lado... se têm direito ao título, por que não?! Alguém poderá perguntar.
    Abraço

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  24. Carlos,
    Fez-me rir a imaginar a cena. Acredito, pois.
    A minha experiência não é muita no setor privado. Talvez isso aconteça com mais frequência mesmo aqui, quem sabe! : ) Há membros do patronado muito déspotas! : )
    Abraço

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  25. Concordo completamente com o tratamento informal! Alguém nasce com o dr. ou engº atrás do nome próprio?

    A história que vou contar aqui, e não no meu blogue, passou-se com uma amiga minha, jornalista: foi entrevistar uma psicóloga, à conta de um artigo que estava a escrever, a mulher lá lhe deu a sua opinião técnica. Quando o artigo saiu, a psicóloga telefonou-lhe a elogiar o trabalho dela, mas que tinha ficado um bocado espantada por ela não lhe ter posto o drª antes do nome, o que parecia revelar alguma "familiaridade"! A minha amiga lá lhe explicou que era política da editora não utilizar os "canudos" de ninguém na identificação das pessoas, mas a mulher pareceu incrédula! Ainda me fartei de rir, quando a minha amiga me contou a cena! :)))

    Também fiquei a pensar que a psicóloga só deve ler revistas cor-de-rosa, com brasões atrás do nome! Então se o Cavaco é Cavaco, o Soares é Soares, para já nem falar nos outros (com cursos que dizem ser às 3 pancadas), como é que aquela alminha queria um dra. atrás do dela??? Distraída, é o mínimo que se pode dizer... :D

    Abraço!

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  26. É verdade que por cá ainda prevalece esta mania de chamar as pessoas pelos títulos académios (que às vezes nem têem). Pior mesmo é quando as prórias pessoas se apresentam/ identificam comos ditos títulos.

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  27. Teté,

    A minha “estória” é, de certa forma, semelhante. Uma amiga minha acabada de se formar em direito (há já bastante tempo e em Portugal) tinha um marido de um pretenciosismo cansativo e insuportável. Um dia, estando eu lá em casa, bate à porta um senhor, pessoa simples, com o propósito de falar com ela sobre um determinado assunto nada relacionado com a sua profissão. Como sempre tratou-a por Dona...

    O marido, que também estava presente, disse-lhe: “a partir de hoje o senhor trata a minha mulher por “senhora doutora” porque ela já tem direito a ser tratada assim.” Fiquei constrangida pelo pobre do homem que lá pediu as suas desculpas e a tratou por senhora doutora...

    Quando pensei em escrever este post sobre a informalidade de tratamento habitual por aqui, estava mais a pensar na utilização comum do nome próprio entre pessoas que mal se conhecem ou que não se conhecem. Os utentes (na sua maioria idosos) das casas de repouso, lares ou dos centros de dia são tratados pelo nome próprio; amigos e amigas dos nossos filhos tratam-nos da mesma forma,... Apenas alguns exemplos.

    Não sei se é verdade ou não mas tenho uma vaga ideia de alguém me ter dito que um português tinha feito este comentário mais ou menos assim: “Lá nas Américas as pessoas são todas iguais. Toda a gente se trata por tu!” : ) ... esquecendo-se, provavelmente, que o “you” tem várias traduções! : )))))


    Abraço

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  28. luisa,
    Há quem utilize os títulos académicos como indumentária! : )
    Abraço

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