Não é frequente
ir ao aeroporto esperar alguém em vésperas de Natal.
Assim que me aproximei da zona de esperas, comecei a observar o movimento de pessoas em meu redor e tão absorvida fiquei que tive a nítida sensação, naquela altura, de que estava a ver “ao vivo” o
filme “Love Actually” – O amor acontece - ou melhor, que poderia perfeitamente ser uma das centenas de pessoas que fizeram parte daquela cena no aeroporto.
O espaço transbordava de emoções. Eram
vibrantes, sentiamo-las no ar. Os corações batiam mais rapidamente; os sorrisos
nervosos, a troca de palavras entre os que aguardavam em pé transmitiam a
ansiedade, a expetativa do encontro, da chegada de alguém que veio para ficar,
ou de visita, outros talvez com um misto de tristeza e alegria, tenho a
certeza, porque a sua vinda poderia ser devida a circunstâncias menos alegres.
No meio da rampa, em frente da porta por onde
saem os passageiros, encontrava-se um grupo de “carolers” vestidos com os seus
fatos de Natal tradicionais do século XVIII que cantavam os conhecidos
cânticos de Natal. A pouca distância, vi
um Pai Natal que me pareceu estar, também ele, à espera de alguém. Vi homens com bonitos ramos de flores na mão que tinham dificuldade em manter-se no mesmo
lugar. Nervosos, agitados, olhando constantemente para o relógio.
Os grupos de passageiros sucediam-se em
intervalos de poucos minutos, vindos de diferentes partes do mundo, algumas delas com temperaturas altas e que se depararam com um anoitecer bastante frio. Os que
aguardavam, mal vislumbravam os seus familiares ou amigos, corriam ao seu
encontro com a alegria estampada nos seus rostos. Abraços, beijos, risos de
contentamento que de certeza também emocionavam os que ali se mantinham à
espera... Senti os olhos húmidos várias
vezes...
Uma senhora, loira e bastante elegante com pele
ligeiramente bronzeada, aparentando uns cinquenta e poucos anos, com um carro
cheio de malas, abraçou primeiro o cãozinho e só depois o senhor que o tinha
nos braços; duas crianças correram para um casal, talvez avós, que os abraçaram
com muito carinho e lágrimas; uma jovem com apenas um saco é abraçada e beijada
sofregamente por quem a esperava com um ramo de flores.
A senhora que está ao meu lado continua a
reclamar: "a rampa só devia ter uma saída; era mais fácil para quem espera; assim
podem sair pelo outro lado e não nos apercebermos no meio de tanta gente." Pergunta-me:
“Where are you coming from?” Apeteceu-me responder: De lado
nenhum, estou aqui! Mas respondi: de Londres. "Eu estou à espera de alguém que vem de Boston."
Afinal, talvez a senhora tivesse razão. Apesar
de estar com os olhos fitos na porta de saída - assim pensei - , quem eu esperava acabou
por sair do outro lado da rampa ...
Quando cheguei perto dela, abracei-a fortemente e ali ficaria abraçada não sei até quando se não ouvisse a sua voz meiga:
- Mom! I missed you too!
Quando cheguei perto dela, abracei-a fortemente e ali ficaria abraçada não sei até quando se não ouvisse a sua voz meiga:
- Mom! I missed you too!
Quando ia para comentar, olhei para o cabeçalho - "Sem comentários" era o que podia ler.
ResponderEliminarE é o que vou comentar, Catarina.
Não é preciso mais.
Beijinhos para si e para a sua filha :)
: )
EliminarAbraço : )
Lindo!!!
ResponderEliminarA sério?! : )
EliminarMesmo molhada não ficou tremida. Isto sim é uma linda fotografia!
ResponderEliminar:)
: )))
EliminarObrigada, Rui.
Um reencontro muito animador! :)
ResponderEliminarFaz-me lembrar aquela canção da Simone, "Encontros e despedidas". E o filme. E de como aeroportos e estações de comboio costumam ser palco de tantos sentimentos cruzados... ;)
Abraço para ti, extensivo à filhota!
Como eu gosto da internet, da google, do youtube!!!!
EliminarEstou a ouvir, neste preciso momento, a Simone. Não conhecia.
Obrigada e abraço : )
Tão bem narrado que consegui ver com os teus olhos.
ResponderEliminarO último parágrafo roubou-me um enorme sorriso. Deve ser tão bom ter esses mimos, quando os filhos já não são pequenos!:)
bji gde
Só tenho experiência com os mimos até uma certa idade. Espero que mais tarde eles me dêem tantos ou mais como os dou à minha mãe! : )
EliminarDevo confessar que os beijos e os abracinhos de quando os filhos são pequenos são especialmente saborosos e aconchegantes. : )
Abraço
Uma cena de uma enorme ternura descrita por uma observadora de alto gabarito e que mereceu esse grande abraço!
ResponderEliminarAinda Boas festas!
Abraço
És uma jóia, Rosa dos Ventos! : )
EliminarAbraço
Que bonito, Catarina! A cena, o texto e o amoroso desenlace...
ResponderEliminarDá vontade de chorar. (Mas isso é porque eu estou por de mais sensível...)
Beijinhos e boas entradas em 2013.
Também eu estou mais sensível este ano, Graça, mas sei porquê. Nem sempre sei... : )
EliminarAbraço amigo
O texto é bem melhor que o Love Actually.
ResponderEliminarOh, Zé da Trouxa, fico sem graça com esse cumprimento, como dizem os nossos amigos brasileiros!
EliminarObrigada! : )
Abraço
Xi-coração delicioso...que bom esse maravilhoso encontro!
ResponderEliminarEstá-se mesmo a ver que o Natal foi PERFEITO!!!
A minha mãe dizia muitas vezes "Filha és, mãe serás assim como fizeres assim acharás..." Logo, quando chegar a tua vez vais ser muito bem tratada, amada e abraçada. Tenho a certeza.
xx
Catarina, pelas duas vezes que estive longe dos meus filhos e da minha mãe, o Skype tirou-me a sensação de saudade! Entrava todos os dias na casa deles e passava o dia na sala de estar da minha mãe...
ResponderEliminarMas é bom saber que eles mesmo assim sentem saudades nossas!
Um 2013 com saúde
O skype é muito apreciado e indispensável na minha casa! Quer as distâncias sejam grandes ou pequenas. Acabei mesmo agora de falar com uma amiga muito querida e já tinha falado com outra no início da tarde, ambas de Portugal.
EliminarFeliz Ano Novo, Dalma.