quarta-feira, 26 de dezembro de 2012


Não é frequente ir ao aeroporto esperar alguém em vésperas de Natal.

Assim que me aproximei da zona de esperas, comecei a observar o movimento de pessoas em meu redor e tão absorvida fiquei que tive a nítida sensação, naquela altura, de que estava a ver “ao vivo” o filme “Love Actually” – O amor acontece - ou melhor, que poderia perfeitamente ser uma das centenas de pessoas que fizeram parte daquela cena no aeroporto.

O espaço transbordava de emoções. Eram vibrantes, sentiamo-las no ar. Os corações batiam mais rapidamente; os sorrisos nervosos, a troca de palavras entre os que aguardavam em pé transmitiam a ansiedade, a expetativa do encontro, da chegada de alguém que veio para ficar, ou de visita, outros talvez com um misto de tristeza e alegria, tenho a certeza, porque a sua vinda poderia ser devida a circunstâncias menos alegres.

No meio da rampa, em frente da porta por onde saem os passageiros, encontrava-se um grupo de “carolers” vestidos com os seus fatos de Natal tradicionais do século XVIII que cantavam os conhecidos cânticos de Natal.  A pouca distância, vi um Pai Natal que me pareceu estar, também ele, à espera de alguém. Vi homens com bonitos ramos de flores na mão que tinham dificuldade em manter-se no mesmo lugar. Nervosos, agitados, olhando constantemente para o relógio.

Os grupos de passageiros sucediam-se em intervalos de poucos minutos, vindos de diferentes partes do mundo, algumas delas com temperaturas altas e que se depararam com um anoitecer bastante frio. Os que aguardavam, mal vislumbravam os seus familiares ou amigos, corriam ao seu encontro com a alegria estampada nos seus rostos. Abraços, beijos, risos de contentamento que de certeza também emocionavam os que ali se mantinham à espera...  Senti os olhos húmidos várias vezes...

Uma senhora, loira e bastante elegante com pele ligeiramente bronzeada, aparentando uns cinquenta e poucos anos, com um carro cheio de malas, abraçou primeiro o cãozinho e só depois o senhor que o tinha nos braços; duas crianças correram para um casal, talvez avós, que os abraçaram com muito carinho e lágrimas; uma jovem com apenas um saco é abraçada e beijada sofregamente por quem a esperava com um ramo de flores.

A senhora que está ao meu lado continua a reclamar: "a rampa só devia ter uma saída; era mais fácil para quem espera; assim podem sair pelo outro lado e não nos apercebermos no meio de tanta gente." Pergunta-me: “Where are you coming from?” Apeteceu-me responder: De lado nenhum, estou aqui! Mas respondi: de Londres. "Eu estou à espera de alguém que vem de Boston."

Afinal, talvez a senhora tivesse razão. Apesar de estar com os olhos fitos na porta de saída - assim pensei - , quem eu esperava acabou por sair do outro lado da rampa ... 

Quando cheguei perto dela, abracei-a fortemente e ali ficaria abraçada não sei até quando se não ouvisse a sua voz meiga: 

- Mom! I missed you too!


19 comentários:

  1. Quando ia para comentar, olhei para o cabeçalho - "Sem comentários" era o que podia ler.
    E é o que vou comentar, Catarina.
    Não é preciso mais.
    Beijinhos para si e para a sua filha :)

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  2. Mesmo molhada não ficou tremida. Isto sim é uma linda fotografia!
    :)

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  3. Um reencontro muito animador! :)

    Faz-me lembrar aquela canção da Simone, "Encontros e despedidas". E o filme. E de como aeroportos e estações de comboio costumam ser palco de tantos sentimentos cruzados... ;)

    Abraço para ti, extensivo à filhota!

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    1. Como eu gosto da internet, da google, do youtube!!!!

      Estou a ouvir, neste preciso momento, a Simone. Não conhecia.

      Obrigada e abraço : )

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  4. Tão bem narrado que consegui ver com os teus olhos.
    O último parágrafo roubou-me um enorme sorriso. Deve ser tão bom ter esses mimos, quando os filhos já não são pequenos!:)

    bji gde

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    1. Só tenho experiência com os mimos até uma certa idade. Espero que mais tarde eles me dêem tantos ou mais como os dou à minha mãe! : )

      Devo confessar que os beijos e os abracinhos de quando os filhos são pequenos são especialmente saborosos e aconchegantes. : )


      Abraço

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  5. Uma cena de uma enorme ternura descrita por uma observadora de alto gabarito e que mereceu esse grande abraço!
    Ainda Boas festas!

    Abraço

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  6. Que bonito, Catarina! A cena, o texto e o amoroso desenlace...
    Dá vontade de chorar. (Mas isso é porque eu estou por de mais sensível...)

    Beijinhos e boas entradas em 2013.

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    1. Também eu estou mais sensível este ano, Graça, mas sei porquê. Nem sempre sei... : )
      Abraço amigo

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  7. O texto é bem melhor que o Love Actually.

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    1. Oh, Zé da Trouxa, fico sem graça com esse cumprimento, como dizem os nossos amigos brasileiros!
      Obrigada! : )
      Abraço

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  8. Xi-coração delicioso...que bom esse maravilhoso encontro!
    Está-se mesmo a ver que o Natal foi PERFEITO!!!
    A minha mãe dizia muitas vezes "Filha és, mãe serás assim como fizeres assim acharás..." Logo, quando chegar a tua vez vais ser muito bem tratada, amada e abraçada. Tenho a certeza.
    xx

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  9. Catarina, pelas duas vezes que estive longe dos meus filhos e da minha mãe, o Skype tirou-me a sensação de saudade! Entrava todos os dias na casa deles e passava o dia na sala de estar da minha mãe...
    Mas é bom saber que eles mesmo assim sentem saudades nossas!
    Um 2013 com saúde

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    1. O skype é muito apreciado e indispensável na minha casa! Quer as distâncias sejam grandes ou pequenas. Acabei mesmo agora de falar com uma amiga muito querida e já tinha falado com outra no início da tarde, ambas de Portugal.
      Feliz Ano Novo, Dalma.

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