sábado, 25 de agosto de 2012


Visitei um casal conhecido que se mudou para um lugar que pertence à freguesia do Algoz.

O sol batia forte naquele princípio de tarde. Era um calor sufocante sem o mar por perto para refrescar. O silêncio era interrompido, de vez em quando, pelo alegre chilrear da passarada e pelo ocasional cacarejar de uma galinha mal disposta ou, quem sabe, em resposta ao olhar lânguido do galo.

Não se via vivalma nas redondezas. Um ou outro carro que por ali passa parece ser a única fonte de distração. 

O pequeno jardim, bem cuidado, com grandes palmeiras saudáveis, alegra a casa pintada de branco, com necessidade de outra pintura, assim mo dizem e, por isso, confirmo com o olhar. O hábito de se mostrar a casa às visitas persiste. A sala, a cozinha, este é o quarto-de-banho social, o quarto dos hóspedes, este é o nosso quarto, o nosso quarto-de-banho... Um hábito que não tenho mas que compreendo.

Depois, passamos para o quintal/horta. Pequenos retângulos de terra avermelhada que alimentam o pequeno núcleo familiar. Tomates, feijão verde, pepinos, cebolas... Ao fundo, o galinheiro; talvez uma dúzia de galinhas e o senhor galo todo emproado que por ali anda, feliz da vida, no seu harém.

Ouvi, com atenção, todas as explicações e comentários que iam fazendo sobre a sua horta, as suas árvores de fruto, sobre a personalidade dos seus dois cães que por ali andam à solta, até sobre a origem dos pássaros que vivem numa grande gaiola e, por fim, uma visita ao terreno em frente da casa com alguns girassóis que quis fotografar. 



Aqui também me explicaram a importância do girassol. Senti o grande apreço que uma pessoa pode ter pela terra, pelos lugares sossegados, longe das multidões, do rebuliço dos grandes centros urbanos e do seu ar poluído.

Nunca vivi no campo mas o campo não me é estranho e embora sinta, por vezes, a necessidade de estar mais em contacto com a natureza, não sei se seria capaz de viver ano após ano neste ambiente calmo, longe do que uma grande cidade oferece. 

28 comentários:

  1. Estimada Amiga Catarina,
    Igualmente eu habituado a viver em grandes cidades, sinto-me bem lá na aldeia, bem no norte da Tailandia, mas para viver sempre lá não me conseguiriria habituar.
    Quado era jovem ia passar férias em Sesimbra e depois ia para casa de minha avó materna no Alandroal e para Juromenha para casa de uma irmã, estava em contacto com o meio rural mas nos dias de hoje é só para visitar.
    Essa casa ainda tem casas de banhos, mas as antigas nem isso tinham.
    Adorei seu belo relato e os firacois em lindos.
    Abraço amigo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Compreendo, António.
      O ideal seria ter uma casa no campo e outra na cidade. Pronto.
      Abraço : )

      Eliminar
  2. Também não tenho esse hábito embora indique sempre onde é a casa de banho social!
    Quanto ao quintal dos teus amigos achei o máximo!
    Gosto do campo mas agora ando numa de pendular e assim não me aborreço em lado nenhum! :-))

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Rosa dos Ventos,
      Agora já podes ir mais vezes ao cinema, ao teatro, a uma exposição. Depois, cansada da cidade, regressas à tua outra casa onde terás, provavelmente, mais espaço, outras atividades, outro ar...
      Abraço : )

      Eliminar
  3. Eu até gostava... mas estão a voltar a centralizar todos os serviços públicos e, enquanto o meu miúdo leva 6 minutos a pé até à escola, já há sítios que nem são muito longe, mas onde as crianças precisam de se levantar de madrugada...
    Quando for velhota vai ser tarde demais... não quero morrer a caminho do hospital... Portugal está com zonas a desertificar... uma estupidez e depois, vêm falar de agricultura e produzir quando reduzem o país a metade.

    Bjos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A agricultura que alguém fez desaparecer aos poucos.
      Abraço

      Eliminar
  4. Em Portugal as cidades estão tão perto e os reboliços pode ser encontrados ao virar da esquina. É bela a vida do campo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vitor,
      A vida no campo tem as suas conveniências, eu sei, e para quem tem paixão pela terra, é o lugar onde viver.
      Abraço : )

      Eliminar
  5. Também eu cresci com esse hábito, que também já vi em colegas mais novas, na Invicta.:)
    Cidade e campo oferecem-nos coisas tão distintas que fico sempre na dúvida onde viveria melhor.
    O ideal era que a cidade estivesse perto do meu campo, mas na velhice devo regressar às origens...ou antes.:))

    beijocas

    ResponderEliminar
  6. A novidade foi para ti. Para mim tudo isso é o meu dia a dia.
    São os muitos animais que me acompanham e são umas leiras de terra onde planto e semeio todo o ano e onde ainda tenho algumas árvores de fruto.
    Se um dia me roubarem este espaço não sobreviverei.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não foi propriamente novidade, Luís. Foi mais admiração pela forma como este casal, ou melhor, a senhora, se ter adaptado com relativa facilidade a este estilo de vida. O marido (de poucos anos), homem que sempre viveu no campo e sem nenhuma experiência de grandes cidades, está totalmente dedicado àquele local, conhece cada planta, cada flor, cada galinha... Foi com grande entusiasmo que me ia explicando as diferentes fases da sua “sementeira”, a razão porque rega o pátio com frequência, as admoestações da mulher quando entra em casa para não a sujar de terra ruiva. : ) Pequenos pormenores a que, provavelmente, não estava habituado.

      Eliminar
  7. Eu sou de fácil adaptação. Já vivi na cidade. Agora vivo no campo. Ambas as situações têm prós e contras. Mas gosto do sossego...lá isso gosto :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Luísa, tens o melhor dos dois mundos! Vives no campo, trabalhas na cidade e tens carro para te deslocares a qualquer lado. : )
      Abraço

      Eliminar
  8. ola vim ver o seu magnifico blog, estão lindos os posts como sempre, tive afastado da blogosfera mas voltei. vem ver os meus novos poemas por favor http://assombrado-mc.blogspot.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, migalhas, obrigada pela visita. Vou já a correr ver os teus novos poemas. Abraço : )

      Eliminar
  9. Pelo que já me apercebi esse hábito de mostrar a casa toda é só dos Portugueses e de Portugal.
    ...
    Eu sou de fácil adaptação.
    Trabalho na grande cidade (Lisboa) e regresso ao campo, onde vivo, todos os dias,
    é mais uma região dormitório como há muitas em redor de Lisboa;
    ambas as situações têm prós e contras.
    Ao fim de semana não me convidem para ir a Lisboa, nego logo!
    Já chega a confusão os 5 dias da semana.
    Gosto do sossego...da minha casa:)

    Mudando de assunto, estará perguntando de si para si
    Quem é esta kalinka?...

    pois, convido:
    para quando uma visita
    ao
    ORIENTE versus Ocidente...?
    ...
    surpresa.

    Beijo da Tulipa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ainda me recordo que a kalinka é a tulipa, noutra versão! : )
      Abraço

      Eliminar
  10. Passei o fim-de-semana fora de casa e este post (que adorei ler) vem lembrar-me que o quintal está à minha espera...
    :)

    ResponderEliminar
  11. Catarina, ia-se habituar :-)
    Depois de me habituar a viver num meio mais pequeno já não quero outra coisa.
    Lindos girassóis!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E o cinema a 15 minutos de casa? E a Galeria de Arte a 40 m, os hospitais a 10 e 20, respetivamente, o aeroporto aqui pertinho... Há quem tenha “cottages”, as casas de campo ou de praia, mas isso seria um impedimento a que se passasse férias fora do país odos os anos.
      Não me queixo. Isto é apenas uma observação! : )
      Abraço

      Eliminar
  12. Um belo registo.
    Eu sou cativada de imediato por lugares assim.
    Não faltam nem os girassós.

    Um beijo

    ResponderEliminar
  13. Também tenho a mesma dúvida, Catarina. Adoro estar uns dias no campo, volto sempre tonificado, mas com a eterna pergunta: seria capaz de viver eternamente no campo?
    Hoje em dia, talvez, porque por muito longe que estejamos de Lisboa ou Porto, em duas ou três horas chegamos lá...
    Abraço

    ResponderEliminar
  14. Bela foto dos girassóis!

    Eu cá, entre o campo e o campo, prefiro... a cidade!...

    Beijinhos urbanos...

    ResponderEliminar
  15. Cada um com a sua sedução, Catarina.
    Muito tempo no campo (Portugal), não.
    Muito tempo na cidade (Macau) também não.

    ResponderEliminar
  16. O ideal são as pequenas cidades que unem o campo às comodidades urbanas. Tudo nem muito longe, nem muito perto.

    Bom dia Catarina. Aqui, de uma cidade pra lá de barulhenta.

    ResponderEliminar