Visitei um casal conhecido
que se mudou para um lugar que pertence à freguesia do Algoz.
O sol batia forte naquele princípio de tarde.
Era um calor sufocante sem o mar por perto para refrescar. O silêncio era
interrompido, de vez em quando, pelo alegre chilrear da passarada e pelo
ocasional cacarejar de uma galinha mal disposta ou, quem sabe, em resposta ao
olhar lânguido do galo.
Não se via vivalma nas redondezas. Um ou outro
carro que por ali passa parece ser a única fonte de distração.
O pequeno jardim, bem cuidado, com grandes
palmeiras saudáveis, alegra a casa pintada de branco, com necessidade de outra
pintura, assim mo dizem e, por isso, confirmo com o olhar. O hábito de se
mostrar a casa às visitas persiste. A sala, a cozinha, este é o quarto-de-banho
social, o quarto dos hóspedes, este é o nosso quarto, o nosso quarto-de-banho...
Um hábito que não tenho mas que compreendo.
Depois, passamos para o quintal/horta. Pequenos
retângulos de terra avermelhada que alimentam o pequeno núcleo familiar.
Tomates, feijão verde, pepinos, cebolas... Ao fundo, o galinheiro; talvez uma
dúzia de galinhas e o senhor galo todo emproado que por ali anda, feliz da
vida, no seu harém.
Ouvi, com atenção, todas as explicações e comentários que
iam fazendo sobre a sua horta, as suas árvores de fruto, sobre a personalidade
dos seus dois cães que por ali andam à solta, até sobre a origem dos pássaros
que vivem numa grande gaiola e, por fim, uma visita ao terreno em frente
da casa com alguns girassóis que quis fotografar.
Aqui também me explicaram a importância do girassol. Senti o grande apreço que uma pessoa
pode ter pela terra, pelos lugares sossegados, longe das multidões, do rebuliço
dos grandes centros urbanos e do seu ar poluído.
Nunca vivi no campo mas o campo não me é
estranho e embora sinta, por vezes, a necessidade de estar mais em contacto com
a natureza, não sei se seria capaz de viver ano após ano neste ambiente calmo,
longe do que uma grande cidade oferece.
Estimada Amiga Catarina,
ResponderEliminarIgualmente eu habituado a viver em grandes cidades, sinto-me bem lá na aldeia, bem no norte da Tailandia, mas para viver sempre lá não me conseguiriria habituar.
Quado era jovem ia passar férias em Sesimbra e depois ia para casa de minha avó materna no Alandroal e para Juromenha para casa de uma irmã, estava em contacto com o meio rural mas nos dias de hoje é só para visitar.
Essa casa ainda tem casas de banhos, mas as antigas nem isso tinham.
Adorei seu belo relato e os firacois em lindos.
Abraço amigo
Compreendo, António.
EliminarO ideal seria ter uma casa no campo e outra na cidade. Pronto.
Abraço : )
Também não tenho esse hábito embora indique sempre onde é a casa de banho social!
ResponderEliminarQuanto ao quintal dos teus amigos achei o máximo!
Gosto do campo mas agora ando numa de pendular e assim não me aborreço em lado nenhum! :-))
Abraço
Rosa dos Ventos,
EliminarAgora já podes ir mais vezes ao cinema, ao teatro, a uma exposição. Depois, cansada da cidade, regressas à tua outra casa onde terás, provavelmente, mais espaço, outras atividades, outro ar...
Abraço : )
Eu até gostava... mas estão a voltar a centralizar todos os serviços públicos e, enquanto o meu miúdo leva 6 minutos a pé até à escola, já há sítios que nem são muito longe, mas onde as crianças precisam de se levantar de madrugada...
ResponderEliminarQuando for velhota vai ser tarde demais... não quero morrer a caminho do hospital... Portugal está com zonas a desertificar... uma estupidez e depois, vêm falar de agricultura e produzir quando reduzem o país a metade.
Bjos
A agricultura que alguém fez desaparecer aos poucos.
EliminarAbraço
Em Portugal as cidades estão tão perto e os reboliços pode ser encontrados ao virar da esquina. É bela a vida do campo.
ResponderEliminarVitor,
EliminarA vida no campo tem as suas conveniências, eu sei, e para quem tem paixão pela terra, é o lugar onde viver.
Abraço : )
Também eu cresci com esse hábito, que também já vi em colegas mais novas, na Invicta.:)
ResponderEliminarCidade e campo oferecem-nos coisas tão distintas que fico sempre na dúvida onde viveria melhor.
O ideal era que a cidade estivesse perto do meu campo, mas na velhice devo regressar às origens...ou antes.:))
beijocas
Nina, campo e cidade lado a lado. : )
EliminarBjos
A novidade foi para ti. Para mim tudo isso é o meu dia a dia.
ResponderEliminarSão os muitos animais que me acompanham e são umas leiras de terra onde planto e semeio todo o ano e onde ainda tenho algumas árvores de fruto.
Se um dia me roubarem este espaço não sobreviverei.
Não foi propriamente novidade, Luís. Foi mais admiração pela forma como este casal, ou melhor, a senhora, se ter adaptado com relativa facilidade a este estilo de vida. O marido (de poucos anos), homem que sempre viveu no campo e sem nenhuma experiência de grandes cidades, está totalmente dedicado àquele local, conhece cada planta, cada flor, cada galinha... Foi com grande entusiasmo que me ia explicando as diferentes fases da sua “sementeira”, a razão porque rega o pátio com frequência, as admoestações da mulher quando entra em casa para não a sujar de terra ruiva. : ) Pequenos pormenores a que, provavelmente, não estava habituado.
EliminarEu sou de fácil adaptação. Já vivi na cidade. Agora vivo no campo. Ambas as situações têm prós e contras. Mas gosto do sossego...lá isso gosto :)
ResponderEliminarLuísa, tens o melhor dos dois mundos! Vives no campo, trabalhas na cidade e tens carro para te deslocares a qualquer lado. : )
EliminarAbraço
ola vim ver o seu magnifico blog, estão lindos os posts como sempre, tive afastado da blogosfera mas voltei. vem ver os meus novos poemas por favor http://assombrado-mc.blogspot.com
ResponderEliminarOlá, migalhas, obrigada pela visita. Vou já a correr ver os teus novos poemas. Abraço : )
EliminarPelo que já me apercebi esse hábito de mostrar a casa toda é só dos Portugueses e de Portugal.
ResponderEliminar...
Eu sou de fácil adaptação.
Trabalho na grande cidade (Lisboa) e regresso ao campo, onde vivo, todos os dias,
é mais uma região dormitório como há muitas em redor de Lisboa;
ambas as situações têm prós e contras.
Ao fim de semana não me convidem para ir a Lisboa, nego logo!
Já chega a confusão os 5 dias da semana.
Gosto do sossego...da minha casa:)
Mudando de assunto, estará perguntando de si para si
Quem é esta kalinka?...
pois, convido:
para quando uma visita
ao
ORIENTE versus Ocidente...?
...
surpresa.
Beijo da Tulipa.
Ainda me recordo que a kalinka é a tulipa, noutra versão! : )
EliminarAbraço
Passei o fim-de-semana fora de casa e este post (que adorei ler) vem lembrar-me que o quintal está à minha espera...
ResponderEliminar:)
: )... e o sol ainda brilha e aquece?!
EliminarCatarina, ia-se habituar :-)
ResponderEliminarDepois de me habituar a viver num meio mais pequeno já não quero outra coisa.
Lindos girassóis!
E o cinema a 15 minutos de casa? E a Galeria de Arte a 40 m, os hospitais a 10 e 20, respetivamente, o aeroporto aqui pertinho... Há quem tenha “cottages”, as casas de campo ou de praia, mas isso seria um impedimento a que se passasse férias fora do país odos os anos.
EliminarNão me queixo. Isto é apenas uma observação! : )
Abraço
Um belo registo.
ResponderEliminarEu sou cativada de imediato por lugares assim.
Não faltam nem os girassós.
Um beijo
E como estes girassóis embelezam a paisagem. : )
EliminarBjos
Também tenho a mesma dúvida, Catarina. Adoro estar uns dias no campo, volto sempre tonificado, mas com a eterna pergunta: seria capaz de viver eternamente no campo?
ResponderEliminarHoje em dia, talvez, porque por muito longe que estejamos de Lisboa ou Porto, em duas ou três horas chegamos lá...
Abraço
Bela foto dos girassóis!
ResponderEliminarEu cá, entre o campo e o campo, prefiro... a cidade!...
Beijinhos urbanos...
Cada um com a sua sedução, Catarina.
ResponderEliminarMuito tempo no campo (Portugal), não.
Muito tempo na cidade (Macau) também não.
O ideal são as pequenas cidades que unem o campo às comodidades urbanas. Tudo nem muito longe, nem muito perto.
ResponderEliminarBom dia Catarina. Aqui, de uma cidade pra lá de barulhenta.