Se
Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.
Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.
Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.
Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
A poesia não é o meu forte. Não posso
dizer que adoro poesia, porque não é verdade. Mas há poemas perante os quais não posso ficar indiferente...
“Se” é um deles... um poema que li pela primeira vez talvez na minha adolescência ou início da idade adulta...
“Se” é um deles... um poema que li pela primeira vez talvez na minha adolescência ou início da idade adulta...
Rudyard Kipling (1865-1936) não
necessita de apresentação, mas, de qualquer forma, vou apresentá-lo. Inglês
nascido na Índia, laureado com o Nobel de Literatura em 1907.
Quem não se recorda de “O livro da
selva”, “O segundo livro da selva” e “O homem que queria ser rei”?

And the Just So stories - which I grew up with. And Kim. And rather a lot of other work.
ResponderEliminarKipling was a very versatile and prolific writer.
Eliminar: )
Por acaso vi noutro blogue que havia um post novo.
ResponderEliminarPorque no meu não aparecia.
Bfds, Catarina
O meu post provavelmente distraiu-se pelo caminho.
Eliminar: )
Quanto ao "If", imperial de Kipling, valerá sempre a pena ler, em contraponto, uma charge magnífica de O'Neil, que começa:
ResponderEliminar"Se é possível conservar a juventude
Respirando abraçado a um marco de correio..."
que vem na "Feira Cabisbaixa", de 1965.
Olá APS! Obrigada pela visita.
EliminarO “If” é daqueles poemas que se emolduram e estão sempre visíveis numa das divisões da casa, tal como “Footprints in the sand “.
Não me recordo de ter lido “A juventude não é tudo” de Eugene O’Neill.
: )
Não é do Eugene O´Neill, dramaturgo norte-americano, mas do Alexandre O'Neill, poeta português. Satírico, q.b..
EliminarObrigada, APS.
Eliminar:)
Apesar de ter alguma dificuldade em comentar poemas, posso dizer que gostei deste e não conhecia.
ResponderEliminarUm abraço e bom fim-de-semana.
Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros
Este também é um poemas mais transcritos... em postais, quadros, marcadores de livros...
EliminarCheguei a imprimir e emoldurar e a explicar aos meus filhos quando tinham idade para o compreender tal como fiz com “Pegadas na areia”.
Muito bonita publicação!
ResponderEliminarBj e bom fim de semana.
Olhar d'Ouro - bLoG
Olhar d'Ouro - fAcEbOOk
Obrigada, Rui.
Eliminar: )
Gostei do que não conhecia.
ResponderEliminarBom fim de semana.
Gostei que tivesse gostado, Observador!
Eliminar: )
Creio ser a primeira vez que leio poesia no teu blogue, Catarina.
ResponderEliminarPelos vistos, não será a última, o que me deixa contente! :)
Começaste bem, trazes-me um poema que não conhecia.
No entanto, não vou dizer que me tenha deslumbrado, porque não seria verdade. Embora nalgumas partes tenha achado aconselháveis de seguir os 'ses', noutras não. É demasiada utopia para se adaptar à vida de qualquer ser humano que, sendo humano, erra e falha tanta vez.
Fico à espera do nº 2, e por aí fora...:)
Beijos.
Esta série foi inspirada pelo teu blogue. :)
EliminarNão foi a primeira vez que publiquei um poema. "A Balada da Neve" há uns anos; "Nos Campos de Flanders" do canadiano John McCrae, a 11 de novembro, Dia do Soldado, e há poucos dias "Pegadas na Areia" da canadiana Margaret F. Powers. :)
E ainda tenho mais "poemas narrativos" que gosto muito.
Kipling escreveu este poema pensando no seu filho que viria a falecer aos 18 anos.
Bjos :)
Catarina, eu só conheci a poesia de Ruyard Kipling no primeiro ano da Faculdade o que não admira já que vinha de um liceu de província. Comprei o livro em que o “Se” vinha incluído e li então os poemas de forma sentida, especialmente este.
ResponderEliminarHoje, talvez por ir ficando, quiçá, estando velha já não me emociona,
Dalma
Tenho lido este poema muitas vezes ao longo dos anos e continuo a lê-lo de forma sentida, como todos os que mencionei acima. Há outros que nada me dizem. :)
EliminarLove this poem and so important to remember during these times!
ResponderEliminarThat is exactly thinking of what is happening that I thought of this poem.
Eliminar:)
SIM ! ... Se és capaz de tudo isso, não és real, não és humano ! :))... seria impossível ! :)
ResponderEliminarR. Kipling dedicou este poema ao filho, mas inspirou-se num grande amigo. Para ele as maiores virtudes de um homem sao o sentido de responsabilidade, o ser verdadeiro, humilde, paciente... E um dos poemas mais influentes e admirados.
EliminarNao sei o que se passou com o Office Word que desapareceu. Nao tenho acesso a acentos nesta caixa de comentarios.
: )
I didn't know this one. But it feels timely.
ResponderEliminarSo timely!!!
EliminarI didn't know this poem before but I like it.
ResponderEliminarI love this poem and I am not really an avid poetry reader! : )
EliminarHá muito que conheço este poema que adoro.
ResponderEliminarBom fim de semana Catarina
Ha alguns poemas que realmente gosto embora nao seja uma leitora de poesia, de uma maneira geral. Mas quando gosto, gosto!
Eliminar: )
É um poema sobejamente conhecido para quem lê poesia com frequência !Belíssimo !!!
ResponderEliminarEu nao leio poesia com frequencia, tal como leio prosa, que e todos os dias, mas tenho alguns livros de poesia quando estava mais interessada neste genero ha anos. E desses anos ficaram alguns na memoria que realmente gostei e que me dizem alguma coisa... E sao esses que vou publicar. Inspirei-me no blogue da Janita.
EliminarNo accents today!! Sorry!
Eu não conhecia este poema. Gostei, Catarina.
ResponderEliminarEu tb gosto! :)
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