Fomos surpreendidos esta manhã com 20 centímetros de neve. As estradas estavam completamente cobertas com o tal manto imaculado e espesso que ainda não se tinha feito sentir este ano com tanta intensidade.
Impossível descortinar onde era o passeio e os limites de cada faixa. Nestas circunstâncias, o melhor é conduzir onde nos parecer ser o meio da via! Na minha opinião, é ser-se prática... E lá vamos em fila indiana, a uma velocidade adequada às dificuldades provocadas pelo nevão. Mas, como acontece em qualquer lugar e em qualquer situação, há sempre alguém impaciente que não tem pachorra para confiar e até seguir o bom senso dos outros motoristas.
Atrás de mim vem um carro parecido a um Honda Pilot. Apercebo-me que está impaciente. Ora se aproxima da esquerda ora da direita. Às tantas, oiço um som que me parece um apito, um apito de um carro! Raramente apito a alguém. Também não gosto que me apitem. Mas como com estes nevões e esta fraca visibilidade não se brinca, achei por bem deixá-lo passar. Apesar da cidade ser praticamente plana, lá aparece aqui e acolá umas subidas leves... e até nestas alguns veículos tiveram dificuldade. O meu novo investimento não me deixou mal vista! Quatro pneus novos de inverno.
Mantenho uma distância bem grande entre o meu carro e o tal “parecido com o Honda Pilot”. Ainda bem que o fiz, porque passados uns quantos metros o cavalheiro atravessa-se na via – não causou acidente, teve sorte. Passei pela direita, devagar.... muito devagar, vejo que a janela do condutor está aberta, abro um pouco a minha e com o meu melhor sorriso perguntei: “Precisa de ajuda?!” Não tinha intenção de parar. Apenas de ser sarcástica! Não lhe dei tempo de me dar qualquer resposta, se é que pensou em dizer-me alguma coisa! Quase de certeza que este “chico esperto” – gosto desta expressão! – não conhece a fábula da tartaruga e da lebre.
Passadas umas horas, quando a neve deixou de bater... bater levemente e a temperatura subiu para -8°C , então, sim, pude desfrutar a sua beleza “branca e leve, branca e fria” e tirar fotos às árvores, ao rio, aos esquiadores de cross-country...
Muito convidativo a um passeio e seria muito mais se o sol tivesse dado a graça do seu sorriso..
Emaranhado de ramos esbeltos...
Branca e ... pesada...
E todos os anos, por esta altura, me recordo:
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...