A neve continua a
cair...
As ruas secundárias ainda
se encontram brancas assim...
Vou com cuidado. A rua está deserta. Aproveito para
buzinar... Silêncio. Tento de novo. Nada. A buzina afinal está avariada. E se
eu tiver que chamar a atenção de alguém com estas ruas/estradas tão
escorregadias? Terei que abrir a janela e gritar. Ó faz favor, desvie-se porque não consigo endireitar o
carro...
Telefono para o mecânico. Digo-lhe o que se passa e
pergunto-lhe se posso por lá passar assim que sair do trabalho. Pode. E vou ser
logo atendida? Vai, fique descansada. Ok, às quatro horas estarei aí.
Fico à espera no “escritório” do mecânico. Encontra-se
lá um senhor. Falamos sobre o tempo. Nevou mas não faz muito frio, diz ele. Não
gosto deste clima. Não me consigo habituar. Cheguei em abril de 72 e continuo a não gostar de
estar aqui. Minha bela Madeira. Quando eu era solteiro, costumava subir aquelas
montanhas e cheguei a ver neve naquela altura.
Fiquei a saber que estudou numa escola industrial, que
fez tropa em Tavira, que aprendeu muito na tropa, que João Jardim tem feito
muito pela Madeira. Fez construções mal feitas? Fez. Mas se não fosse ele a
Madeira continuava na mesma como era antes do 25 de abril. As pessoas gostam
dele de contrário não votariam nele....
Entretanto, oiço grandes apitadelas. Ah! Deve ser a
minha buzina! Abro a porta e lá vou eu confirmar. Então, qual era o problema?
Precisava de um “relay”. Um relay? Hmmmm... pode dar-me mais explicações? Ah! Percebi,
está bem. Pago e saio, não sem antes
ouvir uma estória de um carro de uma cliente que sempre que chegava à sua
oficina nunca parava mas que quando a dona o conduzia era certo e sabido que
parava no meio do caminho. Gosto do meu mecânico!
Depois de conduzir uns dez a quinze minutos, decido
carregar na dita buzina para confirmar o seu som. Responde-me com silêncio. Não
pode ser! Carrego com mais força. Nada. Viro à direita num parque de
estacionamento e telefono de novo para o mecânico. Afinal, a buzina não
trabalha! Não estou longe.
Trocam-me a buzina por uma velha com um som muito
esquisito. Não me importo. Se continuar a emitir som até amanhã é sinal que o
problema não tinha nada a ver com o relay. Encomendarão
uma própria para o meu carro e ficarei com uma buzina nova!
Chego a casa duas horas e
meia mais tarde e com uma buzina velha!