quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Gap geracional


Apesar de usar bastante o telemóvel, quando estou fora de casa, para tirar fotos de objetos ou produtos que necessito, quer seja  para pedir uma opinião sobre os mesmos ou como lembrete, em casa ainda dependo muito dos lápis, das canetas e dos blocos de notas. 

Consequentemente, em todas as mesas, em todas as divisões da casa tenho pelo menos uma caneta e um bloco de notas caso queira anotar alguma coisa onde quer que me encontre na altura.

Estava na casa do meu filho. Quis escrever uma mensagem de agradecimento a alguém e perguntei se tinham um papel apropriado sem ter que recorrer a uma folha de papel para fotocópia.

A minha nora, depois de pensar um pouco, disse-me que não.

Talvez eu tivesse feito um gesto de surpresa porque ela olha para mim e com um sorriso, diz-me:

- We are digital!!

Sim, os “millennials” pensam de uma forma diferente. Ninguém já tem telefone fixo (as companhias dos telefones dependem de nós... os mais velhos...  : )) ), não escrevem à mão, raramente usam dinheiro em papel (eu também não o uso), e adaptam-se com uma grande facilidade a novas tecnologias.

Uma noite, enquanto estávamos à mesa, apercebi-me que (eu) não estava a compreender a conversa entre o meu filho e o meu genro. 

Não estavam a falar nem sobre engenharia informática (pensei na altura) nem sobre assuntos relacionados com leis e justiça. Aguardei mais uns minutos pensando que, como tinha estado a prestar atenção ao meu tesouro mais pequeno, não tinha ouvido o início da conversa, mas, considerando-me uma pessoa inteligente, iria, mais tarde ou mais cedo, apanhar o fio à meada.

Apercebi-me, com grande consternação, que falavam numa linguagem totalmente fora das minhas áreas de competência.

Tive que perguntar do que estavam a falar.  Novas tecnologias altamente sofisticadas aplicadas nos países mais desenvolvidos, nas mais diversas áreas... e sobre jogos de vídeos que a geração Y joga para desanuviar das suas profissões de muita responsabilidade e stress.

Parece que, de acordo com alguns estudos, 58% da população entre os 30 e os 49 anos de idade jogam jogos de vídeos para desestressar!


Eu, que quis sempre acompanhar o desenvolvimento intelectual dos adolescentes e jovens adultos para que não sentisse uma lacuna enorme entre as gerações, vejo-me, independentemente da minha vontade, numa situação em que sinto, irredutivelmente, uma diferença geracional.

A vivência que a nova geração tem com a tecnologia – apenas um exemplo – é uma coisa que eu nunca alcançarei! E não estou a ser negativa. Apenas realista.

47 comentários:

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    1. Times have changed very quickly and I think it is a good thing!
      : )

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  2. I fear for what will happen when our grid is hacked and digital does not work for a time.

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    1. We must have reliable backups! I still have an address and phone book (for instance) just in case I lose my mobile! : )

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  3. E qual é o problema, Catarina?!
    Afinal estamos, apesar de tudo, mais perto dos nossos filhos nessa área, do que os nossos pais de nós.
    O grande salto foi o nosso! 😁

    Abraço

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    1. Problema, problema, não é, só que eu pensava estar mais atualizada e ser capaz de continuar a abordar qualquer assunto, sem necessáriamente ser uma perita; apenas com conhecimentos básicos!
      Tens razão, o maior salto foi nosso. Embora e ainda sobre o parágrafo anterior, devo admitir que colegas minhas têm conhecimentos muito mais profundos e vastos sobre a área das novas tecnologias. Tenho que admitir uma certa responsabilidade da minha parte em não estar a acompanhar ao mesmo ritmo! : ))

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    2. Concordo totalmente com a Rosa dos Ventos... :)

      Catarina, é impossível acompanhar ao mesmo ritmo. O cérebro deles já tem mais "upgrades" que o nosso! hehehehe

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    3. : )))) Vou fazer o possível para não me tornar fóssil!!

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  4. Personally I prefer having a bit of paper on hand when needed.

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  5. If you asked me for a bit of nice paper to write a lovely message on I don't think I could find a piece as I used my phone to write down messages, and or send a text to thank people.
    Used my phone for so many things and I'm older than you I presume. I love technology.

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    1. I do like technology, don't get me wrong. The computer/internet and the mobile phones are the best things ever!!! I still remember the first Nokia mobile (huge) I bought many, many years ago. It cost me $600.00. A fortune at the time. And I do converse with my children and friends via texting. I would prefer to hear my children's voices.... but they prefer texting. I just go with the flow. This thank you message was special. Had to be written by hand to be attached to a very expensive bottle of wine. : ))

      I confess... I still like pens and paper to write down notes on everything... I find this method more practical .. : )

      My new toy: Google Home! : )

      I was talking about advanced technology, really advanced!: ))

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    1. Eu estava a referir-me a tecnologias avançadas, cuja terminologia não me é familiar. Mas como disse, ainda gosto muito de escrever com caneta e papel quando anoto qualquer coisa, quando me lembro de uma palavra ou expressão que me vão ser necessárias mais tarde. Claro que vejo a diferença entre os jovens e eu. Eu tenho que ter uma caneta na mala. Os meus filhos, não. : )

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    2. Eu também ando sempre com caneta e lápis na carteira... mas ainda há dias me apercebi que já é muito raro utilizá-los.
      (^^)

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    3. A lista de compras de supermercado tb é feita em papel. Mesmo com a lista na mão é muito mais fácil e prático pegar num produto qualquer e colocar no carrinho do que ter o telefone na mão. : ))

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  7. I am a paper and pen girl. And read to destress. Or go outside. And I have several pens in my bag. I am old.

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  8. Em relação ás novas tecnologias eu sou um autentico fóssil e ainda bem, aproveito para desejar a continuação de uma boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    O prazer dos livros

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    1. : ))
      Fóssil ou não que tenha um resto de semana com menos frio que eu.
      Hoje estamos a -20!! Não é uma temperatura conducente à cura da tosse! : ))

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  9. Eu em jovem dizia que, quando chegasse a minha vez, não iria deixar acontecer comigo o que via acontecer aos mais velhos do que eu... e que iria fazer sempre de tudo "to keep up with the new ones"!
    Tive a sorte de enveredar por uma profissão que me dá contacto diário com as novas gerações... mas digo-te: não é fácil!!
    A verdade é que se vai envelhecendo e o nosso cérebro acaba por fazer resistência (é impossível mantermos a mesma capacidade de aprendizagem durante a vida toda) e não nos conseguimos libertar de hábitos enraizados.

    E sabes o que mais? Quem perde são sempre os mais novos... porque nós conhecemos mais coisas do que eles! hehehehe

    Beijinhos modernos
    (^^)

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    1. Foi exatamente o que pensei na altura.
      Nunca antes tinha levantado a hipótese de haver uma lacuna tão grande!! Mas não devo dar assim tanta importância ao caso. Não tenho que saber sobre tecnologia avançada, desde que vá acompanhando a evolução “normal” e adaptando-me da forma como eu escolher. Vou ficando atualizada conforme o meu interesse. Como disse, o meu novo brinquedo é o Google Home! E isso satisfaz-me. Acho muita piada a este gadget!
      Apesar de as canetas e o papel fazerem parte intrínseca da minha vida quotidiana, é-me difícil imaginar como foi “fácil” vivermos com enciclopédias e idas à biblioteca. : )
      Bjos

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  10. Li há muitos anos algo que jamais esqueci: a partir de certa idade o cérebro humano não se interessa por aquilo que de novo vai aparecendo


    Tudo de bom

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    1. Esse “pensamento” talvez esteja desatualizado. Faz-me lembrar, de certa maneira, a tábula rasa de Aristóteles. : ) Ou o pessimismo refletido no ditado “Cão velho não aprende truques novos”. Conceitos tão arreigados nas mentes dos mais velhos que era como se fosse um dado adquirido. Quando for mais velho, não me vou interessar por coisas novas.
      Atualmente, os adultos aposentados preferem “sair da caixa”, sentem-se mais confiantes para aprender coisas novas não só pela curiosidade que ainda sentem, mas para afastar tanto quanto possível a demência e a doença de Alzheimer. A população está a ser lembrada constantemente quão importante é o exercício físico e mental e é incentivada a aprender uma nova língua, por exemplo, a participar em classes de arte, a jogar às cartas, a jogos de tabuleiro... tudo aquilo que os fará exercitar a mente. E são encorajados a conviver, já que existe uma grande percentagem de seniores que vivem sós. Felizmente o governo canadiano está a fazer o seu melhor para abordar os problemas que os mais velhos estão a enfrentar, facilitando-lhes programas gratuitos em centros comunitários espalhados por toda a cidade. Apenas um exemplo.
      Têm sido feitos estudos nas áreas da psicologia e neurociência que indicam que o cérebro tem uma extraordinária capacidade de aprender e dominar novas aptidões, independentemente da idade, para bom funcionamento cognitivo e emocional.
      Muitos estudos sobre a anatomia do cérebro revelam que o cérebro adulto é mais fértil do que se pensava e capaz ainda de grandes aprendizagens!!
      Talvez para alguns de nós seja ligeiramente mais difícil reter e/ou assimilar novas informações, mas acredito veementemente que não existe limite etário para a aprendizagem! : ))

      Tudo de bom para ti, São.

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  11. É verdade, é verdade :)
    Eu ainda gosto muito de escrever em papel!
    Gostei muito do blogue, vou seguir ;)
    Beijinho

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    1. Obrigada pela visita Quase Cinderela.
      Há ainda um gosto muito especial em pegar numa caneta e num bloco de notas. Todavia, por uma questão de praticabilidade, prefiro livros eletrónicos ou livros áudio aos de papel!
      : )


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  12. I play digital solitaire, does that count? I assume not. My nephew plays all kinds of digital games that I don't understand at all.

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    1. Of course it counts!! As long as we keep exercising our mind/brain... it's all good!!
      : )

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  13. Tambem gosto de escrever notas em papel e este ano ate comecei um "bullet journal" para me organizar melhor em vez de ter dezenas de papelinhos por todo o lado. Mas tambem ainda gosto de ler livros de papel :)
    O meu filho tirou o curso de "tecnologia de jogos" e trabalha nessa area e quando vou a casa dele e ouco a falar com os colegas e amigos tambem parece que estao a falar numa lingua estranha.

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    1. Há poucos anos pensei que os jogos de vídeo fossem mais destinados aos adolescentes. Engano meu. O meu filho e o meu genro (ambos igualmente profissionais), têm dias e horas marcadas para jogar com os seus respetivos grupos (creio que nem todos se conhecem pessoalmente) e destressar durante algumas horas. É realmente uma linguagem totalmente desconhecida para os leigos como eu! : )

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  14. Pois teremos que ser realistas embora tentando sempre compreender o novo!

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  15. Comentando ainda o escrever à mão: foi coisa que há muito não faço, mesmo notas as ponho no iPhone! Desde que entrou o 2.º computador em casa, digo 2.º por que o primeiro foi um Sincler, que não permitia imprimir! Depois desde que tivemos um, nele fiz tudo o que dizia respeito à Escola e a tudoo mais e talvez por isso mesmo tenho já uma letra manuscrita péssima!!

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    1. Depende muito do nosso estilo de vida, fora e dentro de casa. O meu uso da caneta e do papel justifica-se. Tb porque gosto!
      : )

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  16. I always carry a pen in my backpack just in case I need one and sometimes I do. I don't play video games, I hike and read, love to be outdoors. We still have writing paper but that doesn't really get used as much as it used to. I think people who spend lots of time with their devices are missing out on life.

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    1. If I don’t have a pen in my purse… that means that I forgot to put it back when I used it.

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  17. Nunca joguei e ainda escrevo muito em papel, gosto de enviar postais de aniversário e de boas festas. Não sou muito de computador, talvez porque passei durante 30 anos a olhar para um computador no trabalhado, o Wi-fi raramente o ligo no iphone.

    Beijinho Catarina

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    1. Eu cheguei a jogar jogos em máquinas enormes. Que já não existem. E em casa quando os meus filhos eram pequenos. Um deles creio que se chamava o Jogo de Super Mário ou algo semelhante. A versão original. : )

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    2. (se eu te disser que já fui "viciada" em jogos electrónicos... acreditas? Até online jogava!)

      (^^)

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    3. Acredito! Tenho 3 amigas que jogam todos os dias. :))

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  18. Times have certainly changed.
    However, I still have plenty of note-paper and a pen handy, just in case :)

    All the best Jan

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  19. E isso acontece contigo que és uma pessoa super actualizada com as novas tecnologias, imagina eu!

    O meu filho é licenciado em Engenharia de Sistemas e Informática, a trabalhar na ORACLE em Utrecht, na Holanda. Quando ele se põe a falar com colegas, não entendo nada de nada. Mas compreendo e aceito isso, como coisa natural.
    Jogos... nem quando tinha a minha página no FB, me quis meter naquela coisa da 'Quinta', ou lá o que era aquele jogo viciante, em que por causa de porcos e galinhas virtuais, as pessoas se chegaram a zangar. ahahahaha

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    1. hahahahah.... o facebook tem dessas coisas... As pessoas zangam-se. : ))

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  20. :))) ... Aproveitando a "deixa" do "gap geracional" :
    Um dia destes, repreendi o meu neto de 9 anos ( e se calhar com a minha nora seria igual) pela sua péssima caligrafia !!! :((
    Resposta : Ó avô . Caligrafia bonita para quê, se futuramente só irei escrever no teclado do computador ?...
    .... haaaeee !!!???

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    1. A escrita cursiva é ensinada nas escolas do Ontário no terceiro ano, quando os miúdos têm 8 anos e supostamente possuem as aptidões necessárias para dominar esta forma de escrita. As crianças que chegam de Portugal, da mesma idade, é assim que já escrevem. Os colegas têm por vezes dificuldade em ler os que os recém-chegados escrevem. :)

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  21. Eu ainda sou do tempo... do papel e caneta!... Graças a Deus!...
    E os jogos dos mais novos... ou pelo menos os jogos que eles mais gostam... são do mais stressante que há... na minha opinião... pura adrenalina... reflexos ultra rápidos... do melhor para causar ataques epilépticos, ao fim de umas horas...
    Beijinhos
    Ana

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