quarta-feira, 22 de agosto de 2012




Há coisas, ocorridas num passado longínquo, que recordamos porque tiveram um grande impacto nas nossas vidas. Há outras que não tiveram qualquer efeito, positivo ou negativo, em nós, pessoalmente, mas que são transportadas até ao tempo presente. Não sei como explicar estas recordações que ainda não foram varridas da memória.

Esta é uma delas.



Ontem, como petisco, preparei este prato, iniciando, assim, a fase da confeção de pratos tradicionalmente portugueses, embora já tivesse pedido este em restaurantes italianos com molho de tomate. Como estes não tinham este molho, considero-o rigorosamente português.

Os mexilhões fazem-me recuar no tempo (sempre!), quando ainda era criança. 

O meu pai, que gostava de patuscadas, convidou uns quantos casais para vir a nossa casa. Naquele dia, responsabilizou-se pelos petiscos. À minha mãe coube-lhe a tarefa de preparar as sobremesas. A nós, crianças, nada nos foi pedido.

A mesa foi posta no terraço. A toalha era aos quadrados.

A certa altura, oiço o meu pai pedir à empregada (uma jovem com pouca experiência na cozinha, segundo ouvia a minha mãe dizer) que pusesse um pouco de piripiri nos mexilhões. Quando a travessa foi colocada na mesa, o meu pai achou que algo estava errado e pediu-lhe para lhe mostrar o frasco de piripiri. A rapariga mostrou-lhe um frasco de mercurocromo.




35 comentários:

  1. Confesso que desta não estava à espera :)))

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  2. E eu também não!
    Mas tenho uma parecida: eu gostava de água de castelo, mal falava ainda, e um dia bebi um golinho de gasolina que estava numa garrafa de "água de castelo" ao lado de um frigorífico velho :-((
    Como aqui não encontro amêijoas, só mexilhões, faço-os "à Bulhão Pato" :-)
    1 quilo dá para jantar, e é barato!

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    1. Os mexilhões compro-os aqui no supermercado mais perto. Vêm em embalagens a vácuo. Creio que de viveiro. Já estão limpos e basta lavar uma vez. Práticos, económicos e saborosos. Azeite, sal, alhos, cebola e vinho branco ou cerveja.... Não gosto de piripiri.
      Abraço : )

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  3. O tempero de que uma coisa que detesto estava mesmo a precisar.

    :)

    Abraço

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  4. Como esquecer?:))

    A mim também me lembram a infância, quando os meus pais estavam em Bordéus e os confecionavam às carradas, de tão baratos que eram, tal como os caranguejos, aliás.
    Ainda hoje sou fã.:))

    bji

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    1. Tb gosto muito de marisco... de qualquer forma ou tamanho.
      Bjos : )

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  5. É de facto uma situação inesquecível. Foooooogo. :)))))

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  6. Fooooooogo mesmo, que hórror e impossível de esquecer eheheh

    Em Portugal, mais no Algarve já os comi com molho de tomate e com uma espécie de cebolada, qualquer dos pratos com muito piripiri...a minha memória com eles foi por duas vezes andar a apanhá-los junto às rochas e depois horas a lavá-los e a escová-los ehehe

    Beijinho :)

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    1. Nunca comi (aí) mexilhões com molho de tomate. Até nem desgosto... o problema é o excesso de pão que se come para não ficar uma gotinha de molho no prato. : )
      Bjos

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  7. Estimada Amiga Catarina,
    Boa, essa passagem jamais será esquecida.
    Na Tailândia os mexilhões são baratos e muito utilizados na culinária, porém sempre acompanhdos de piri-piri.
    Abraço amigo

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    1. Dispenso o piripiri. Os mexilhões devem ser umas das criaturinhas marinhas mais baratas.
      Abraço

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  8. Não deve ter sido um petisco muito apreciado, deduzo eu.

    É curioso como a memória torna eternos alguns momentos:

    Gostei muito da referência ao padrão da toalha. Revela como são atentos e "pequeninos" os olhares de uma criança.

    Um beijo

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    1. Há certos pormenores que ficam retidos na memória, sabe-se lá porquê.
      Abraço : )

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  9. rrrsss rrrss

    Bom, podia ser ainda pior!!

    Beijos, Catarina

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  10. Este é um prato que aprecio muito, dado a minha paixão por frutos do mar. Gosto muito mas sem mercurocromo, com um azeite, sal e uma geladinha não precisa de mais nada. :0) bjs

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  11. Ao menos salvaram-se as sobremesas, não? :))
    Há muito tempo que não como mexilhões.

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  12. Bolas!!!! Seria loira a rapariga?!.... E o teu pai despediu-a ou ... bateu-lhe?!...

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    1. Sei que não foi despedida; quanto ao raspanete não me recordo mas não me parece que iriam envergonhar a rapariga em frente de toda a gente. Pobre “moça”! : )

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  13. Pois eu adoro mexilhões, à portuguesa ou à espanhola! Quer dizer, mas sem mercurocromo, que como condimento não deve ser grande coisa... :)

    Abraço!

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  14. Ehehehe! Querida Catarina, imaginei todos os desfechos, menos o que realmente sucedeu!!!
    Ainda ontem fiz uma massada de mexilhões, de comer e comer e comer...
    Beijinhos. :)

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  15. Um dia, em Bruxelas, fui convidado para jantar num dos melhores restaurantes de Bruxelas, junto à Grande Place. Os meus convidantes que eu conhecera na véspera aconselharam-me a pedir a "especialidade da casa". Prudentemente, perguntei o que era e, à resposta "Mexilhões", devo ter feito uma cara tão estranha, que eles pensaram que eu me estava a sentir mal disposto.
    Quando lhes disse que odiava mexilhões, tiveram um desgosto enorme e foram eles a ficar com uma cara tão estranha, que até tive pena deles.

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  16. Mal empregado petisco que foi para o lixo!:-((

    Abraço

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  17. Olá!

    Obrigado por passar lá no Assim falava Zé da Trouxa. Nesse blog não respondo a ninguém. Não sei porquê, são regras que criei, tal como noutro blog que tenho respondo a toda a gente. Por isso respondo aqui agora.

    O nome está óptimo: contempladora ocidental!

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    1. Obrigada pela visita, Zé da Trouxa. Fui visitar o blogue onde responde aos comentários. Gosto de receber respostas embora visite quem não me responde diretamente nos seus blogues. : )
      Abraço

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